“Cantar… devaneio ou realidade”

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O sonho de cantar acompanha muita gente que normalmente trilha profissões muito diferentes da música. É a constatação da velha frase:

“De cantor e louco todo mundo tem um pouco…” 

Comecei a cantar muito jovem. Aos 11 anos de idade já cantava profissionalmente e curiosamente este nunca foi o meu sonho. (conheça um pouco mais sobre a minha história lendo o post: “Quem sou”).

Naquela época era tudo muito intuitivo, eu nem sonhava com a possibilidade de buscar algum aprimoramento através de aulas de canto (coisa que os pequenos aspirantes ao “The voice kids” fazem cada vez mais).

Aliás quando comecei nem mesmo existiam professores de canto popular para dar algum tipo de orientação. Em geral haviam alguns poucos professores de canto erudito. Diferente dos cantores líricos , os populares sempre foram muito mais intuitivos.

Então como diz a expressão: “A gente fazia tudo na raça…” O aprendizado era fazendo ora certo, ora errado. Tinham dias que “aqueles certos agudos do repertório” eram mais fáceis de sair e, em outros quase impossíveis!

Muitas vezes eu tinha que cantar mesmo estando rouca, quase sem voz. Outras vezes fazia um repertório difícil de executar tendo que emitir “agudos ou graves que eu não tinha” por conta da minha falta de domínio vocal.

Hoje entendo que, por incrível que pareça, a gente só se dá conta das limitações que realmente tem quando vai passando a ter maior noção técnica vocal.

Lido diariamente com cantores de todos os estilos, desenvolturas, habilidades e domínio vocal possíveis e isso só me faz ter a certeza que os diferenciais do aprendizado técnico vocal são:

  • O condicionamento e o desenvolvimento da memória muscular vocal propriamente dita;
  • O autoconhecimento;
  • O exercício da escuta (a melhora da percepção musical);
  • E a consciência corporal como um todo.

Coincidentemente alguns destes atributos também podem ser de suma importância para muitas outras áreas da nossa vida.

Observo na minha prática que quanto mais conseguimos desenvolver estes aspectos mais domínio criamos sobre o que precisamos dominar: a nossa voz, as nossas emoções, a nossa autoestima e a nossa autoimagem.

Mas o que de fato tem haver com cantar bem ou não?

Sob o meu ponto de vista quando mudamos o nosso olhar para nós mesmos criamos mais auto percepção. Pela mudança da percepção entendemos as necessidades que temos. Por esse entendimento buscamos nos aprimorar. Pela busca do desenvolvimento das nossas habilidades crescemos e nesta progressão nos tornamos pessoas melhores, mais realizadas, com maior autoestima e com uma autoimagem muito melhor.

Se cantar sempre foi o seu sonho, se é o que te faz feliz, faça!

Mas faça isso com toda convicção possível, com toda dedicação possível, com toda verdade possível, independente se esta é ou não a sua profissão.

Faça do seu canto a forma mais genuína da sua expressão.

Eu posso te dizer com toda a experiência de quem já cantou por anos de forma apenas intuitiva que o condicionamento vocal faz muita diferença!

Por isso busque um mentor que te desafie, mantenha uma rotina de estudos, exercite-se vocalmente, aprenda a se ouvir e por fim cante muito!

 

Eu sou
Sou seu sabiá
O que eu tenho eu te dou
Que tenho a dar?
Só tenho a voz
Cantar, cantar, cantar, cantar

(Sou seu sabiá – Caetano Veloso)

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