Dicas de como lidar com os desafios de um cantor

Tempo de leitura: 5 minutos

por Alice Rodrigues
por Alice Rodrigues

SOBRE O SHOW

O dia do show para um cantor é aquele dia especial, afinal muitas vezes nos preparamos muito para que tudo corra da melhor forma possível.

É natural que criemos uma expectativa de que nada pode dar errado.

Mas ser tomado pela ansiedade com aquele “friozinho na barriga” também pode fazer parte da “brincadeira”. E podemos até aproveitar essa atmosfera para criar uma adrenalina boa, um “gás” para extravasar na hora da performance.

Porém os imprevistos sempre podem acontecer. E quando eles acontecem podem servir como provações para o nosso aprendizado.

SOBRE IMPREVISTOS

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Certamente muitos de nós já se viu nestas situações:

  • “A minha voz estava ótima a semana toda, mas bem no dia da apresentação acordei com dor de garganta e rouco…. “
  • “Estava super tranquilo e confiante e daqui a pouco tive a impressão de que o último lugar que gostaria de estar era naquele palco…”
  • “Estava tudo programado para chegar no evento num horário razoável para me concentrar e dar o melhor de mim,  mas deu tudo errado me atrasei, fiquei nervoso e nem consegui aquecer a minha voz…”
  • “O som começou a dar problemas e estava péssimo, mal consegui ouvir a minha voz na passagem de som com a banda, meu retorno de voz foi a minha intuição…”
  • “O músico que ia me acompanhar teve um problema. Não tive como cancelar a apresentação e chamei alguém de improviso, sem ensaio, pra tapar um buraco, me deixando bastante inseguro…”

São nessas horas que a gente se coloca a prova e vê que certamente algumas boas condutas farão a diferença e poderão salvar a apresentação.

SOBRE AS ADVERSIDADES

Mas nem sempre o ideal faz parte da nossa realidade e por isso é sempre bom que tenhamos algumas alternativas na manga para nos orientar melhor.

De todas as situações difíceis que citei acima, falarei de uma que considero das mais difíceis e que é o grande pesadelo de qualquer cantor:

Tenho uma apresentação e amanheci com a voz péssima, o que faço?

Nestes casos sempre dou as seguintes orientações:

  1. Procure um um médico que prescreva alguma medicação mais emergencial, mas NUNCA se auto medique! Isso pode piorar ainda mais o seu quadro.
  2. Hidrate muito todo o trato vocal, seja tomando água ou fazendo inalações “somente com soro fisiológico” quantas vezes quiser. Neste caso não há contra indicações, ela tem o poder de hidratar diretamente todo o trato vocal, ajudar a diluir a secreção, lubrificando e diminuindo o atrito entre as pregas vocais.
  3. Evite falar! Faça repouso vocal quase absoluto antes do show. Reserve apenas um momento para um bom aquecimento da voz antes do show.
  4. Faça um aquecimento vocal bem gradativo e leve, ou seja, vá caminhando lentamente com os exercícios da região médio grave da voz para a aguda sem saltos muito grandes de notas, fazendo bastante alongamento da musculatura com emissões em glissandos leves e sem soprosidade. Use exercícios menos intensos como os com fonemas “Z”, “J”, “V” ou “M” e “N”. Evite fazer vibração de língua ou lábios com a garganta inflamada, eles são muito intensos e não são recomendados nestes casos.
  5. Alongue todo o corpo, sobretudo a região do pescoço. Tendemos a tensionar ainda mais esta região quando ficamos nervosos ou disfônicos.
  6. Concentre-se e respire fundo, controle seus pensamentos, foque no positivo. Ter pensamentos negativos nestas horas só pioram a situação. Respire muito e procure ter o comando das emoções.

SOBRE ESTUDO

Penso que para qualquer  profissional que deseja se diferenciar no mercado algumas coisas são essenciais como estudo, dedicação, tempo de experiência, entre outros….

A meu ver para um cantor, além de tudo isso, é indispensável  a construção de uma técnica vocal sólida.

O estudo constante, o conhecimento e controle da sua voz só trarão segurança e domínio da situação, mesmo nas piores “intempéries”.

SOBRE AS EMOÇÕES

Desenvolver o autocontrole das emoções também é muito importante. Sempre digo para os meus alunos: “A platéia não precisa saber que não estamos bem, se dormimos mal, se brigamos com alguém, e se estamos mau humorados no momento do show…”.

O público sempre espera ver o artista em sua melhor performance. Quer ser embalado pela canção e emocionar-se com ela.

Muitas vezes o que mais vale não é uma grande voz mas sim o quanto conseguimos tocar e emocionar os que estão nos assistindo.

E quanto mais for verdadeira a nossa emoção, mais a platéia se sentirá parte do nosso espetáculo.

SOBRE INTERPRETAÇÃO

O bom intérprete consegue prender a atenção do seu ouvinte quando consegue “dizer” o que canta…

Assim se for o texto da canção for triste, cante de forma mais intimista, sem sorriso, com voz pequena.

Se for uma música alegre abuse do sorriso, transmita a alegria do texto. O sorriso além de denotar maior carisma ainda ajuda a dar mais “médio para a voz, contribuindo para a sua projeção.

Penso que não dá pra cantar tudo do mesmo jeito o tempo todo! Cada canção tem sua mensagem própria.

E como acontece na fala, o timbre pode sim mudar em cada interpretação, dependendo do sentimento que a música trás.

Acredito que quando conseguimos descobrir essa emoção por trás do texto e da melodia, há um ajuste vocal mais fisiológico, e tudo fica bem mais fácil e natural!

Para a inspiração de vocês deixo aqui os versos de Caetano veloso na voz de Gal Costa: “Minha voz, minha vida, meu segredo e minha revelação…”

Veja também:

http://vozteoriaepratica.com.br/texto-x-melodia-na-cancao/

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