Exercícios vocais isométricos, isotônicos, isocinéticos

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Seriam os chamados exercícios: “isométricos”, “isotônicos” e “isocinéticos”.

Para ficar mais claro sobre a função e definição de cada um deles, coloco aqui a descrição que encontrei na literatura.

“Os exercícios isométricos são definidos como resistência sem movimento, desenvolvendo-se tensão muscular, contudo o músculo não encurta nem alonga, i.e., ocorre contração muscular estática, sem movimento.”

Os exercícios isométricos têm sido considerados grandes aliados para o desenvolvimento e do fortalecimento de toda a musculatura corporal.

No canto tratam-se de emissões com sustentação de notas longas. Acredita-se que possam ser efetivos para o trabalho da estabilidade e resistência vocal.

Os exercícios isotônicos são mais dinâmicos e realizados com movimento, envolvendo a contração e extensão muscular controlada.

No canto são os exercícios com intervalos tonais curtos e rápidos, como os intervalos de 2ª ou 3ª menor ou maior, trabalhados em colcheias ou semi colcheias.

Os exercícios isocinéticos são conseguidos quando o músculo encurta contra uma resistência cooperante igualada com a força produzida pelo músculo e requerem uma velocidade constante durante toda a amplitude do movimento.

No canto seriam os exercícios realizados com três ou mais notas, com repetições, variações e velocidade constantes.

Como por exemplo repetir a sequência de notas “dó, ré, mi, fá, sol, fá, mi, ré.dó” três vezes, numa mesma respiração com velocidade moderada.

Antes do trabalho de manutenção ou aquecimento vocal, vale a pena ter um olhar atento a toda a musculatura de pescoço e tronco.

Qualquer tensão nessa área pode influenciar negativamente em toda a musculatura vocal, como a elevação excessiva da laringe, dificultando a emissão ou gerando tensões indesejadas.

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Por isso faz-se necessário o uso de alongamentos de toda a musculatura extrínseca, como rotações circulares de ombros, sustentação da cabeça para os lados e para baixo, micro movimentos da cabeça, com movimentos do “sim”, “não”, ou “cabeça de boneca” (para os lados com orelhas em direção aos ombros).

Segundo a fonoaudióloga Sílvia Pinho em seu livro: Músculos Intrínsecos da Laringe e Dinâmica Vocal, 2014, “estimular o abaixamento laríngeo por sucções do ar, simulando a sucção de “espaguete”, promove a ampliação faríngea e supraglótica.

E ainda: “O Exercício do Espaguete favorece o arredondamento labial (lábios na forma da vogal /u/), a elevação do palato mole e do dorso lingual e realiza o abaixamento laríngeo por contração do músculo esternotireóideo.”

Depois de alongar a musculatura extrínseca da laringe, é importante atentar-se a maneira como são realizados os exercícios vocais que devem ser sempre em pouca intensidade, porém sem soprosidade.

Não há exatamente um “receita” exata que estabeleça um tempo padrão para se fazer os exercícios.

Certamente cada um, a medida que for ganhando maior propriocepção corporal, com o tempo conseguirá observar na própria voz, quais os exercícios que funcionam mais ou menos em suas rotinas de aquecimento.

É importante observar que a voz não deve piorar o seu padrão de qualidade depois da realização de algum exercício. Voz abafada e disfônica sugere fadiga vocal ou qualquer outra disfunção funcional ou orgânica.

Por isso tenha sempre a orientação de um bom professor de cantor ou um fonoaudiólogo especialista em voz para ajudá-lo em seu aprimoramento no canto. E qualquer alteração na voz procure um otorrino e faça uma avaliação.

Sugestões de exercícios:

Isométrico: Emissões longas com duração em torno de 7’ (segundos) cada, subindo de meio em meio tom;

Isotônico: Intervalos crescentes e decrescentes em glissandos de 2ª m (dó, dó#, dó), 3ª M (dó, mi, dó), 4ª (dó, fá, dó) ou 5ª (dó, sol, dó) subindo de meio em meio tom.

Isocinético: Vocalizes em escalas curtas com três ou mais notas, com repetições e velocidades constantes.

Por exemplo: fazer a sequência “dó, ré mi, fá, sol, fá, mi, ré dó”, repetindo-a duas com velocidade moderada e depois subindo de meio em meio tom;

Observe a extensão dos exercícios! Os faça de forma gradativa, indo aos poucos para o agudo e para o grave.

Em direção ao agudo diminua a intensidade da emissão para fazer a troca muscular (TA/CT) necessária para o trabalho da região aguda da voz, ou seja, meninas caminham em direção a voz de cabeça e meninos para o falsete.

Todos esses exercícios podem ser feitos com as fricativas sonoras, “Z”, “J”, “V” e vibrantes de língua ou lábios.

Vale repetir que os exercícios de manutenção e aquecimento da voz sempre devem ser feitos com pouca intensidade, porém sem soprosidade.

Certamente fica complexo descrever os exercícios sem demonstrá-los auditivamente, assim os exercícios acima servem apenas como sugestões.

Referências Bibliográficas:

PINHO, Sílvia M. Rebelo, KORN, Gustavo P, PONTES, Paulo. Musculatura Intrínseca de Laringe e Dinâmica Vocal. 2ª edi- vol. 1 – Rio de Janeiro: Revinter, 2014.

Samantha Bonnel. Rio de Janeiro http://globoesporte.globo.com/eu-atleta/treinos/guia/isometria-e-grande-aliada-na-hora-de-desenvolver-e-fortalecer-musculatura.html

https://terapeutaf.wordpress.com/2010/04/06/exercicios-isometricos-isocineticos-e-isotonicos/Fornecido por: Eva Antunes

Veja também:

http://vozteoriaepratica.com.br/manutencao-e-de-aquecimento-vocal/

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