O sonho de ser um “The Voice”

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Por conviver diariamente com o sonho da grande maioria dos cantores em ser um dos “The Voices”, resolvi “dar uma volta” no mundo online cassando os melhores momentos de cantores de todos os tipos de vozes e estilos diferentes e sentir na própria pele o que eles trazem de mais especial.

Tentei observar todos os detalhes: se é um timbre específico, uma afinação impecável, a desenvoltura de palco ou o domínio sobre o instrumento vocal que fazem a diferença em alguns destes cantores.

E depois de me emocionar algumas vezes assistindo alguns vídeos, tive a certeza de que é tudo isso e muito mais.

O verdadeiro papel de uma boa Técnica Vocal   

Como sempre falo em meus posts, acredito que muito do aprendizado técnico é a consciência que se toma em relação à própria voz, as preferências timbrísticas, as habilidades e as limitações que possam existir, para daí sim, a partir disso ter a capacidade para aprimorar o canto.

Ter uma constância do treino vocal é primordial para se ter o domínio da musculatura e facilitar o acesso ao “molde” que mais nos agrada.

A isso eu dou o nome de “domínio técnico”. E para mim ele é resultado da consciência que vamos tomando da própria voz ao longo do nosso aprendizado.

Penso que algumas pessoas já têm essa habilidade de forma mais inata, o que as pessoas chamam de “dom”.

Posso dizer até que já tive a oportunidade de ver excelentes cantores com muito domínio sobre sua voz mesmo sem ter muita consciência técnica propriamente dita.

No entanto ter essa habilidade e buscar aprimoramento é dar um salto quântico vocal. Fica tudo mais fácil e mais consciente, é só acessar!

E se você não é um desses privilegiados, invista em seu aprendizado. Tudo, absolutamente tudo, pode ser aprendido e aprimorado. Basta ter disciplina, constância, muita paciência e determinação. Nem um pouco fácil, mas de maneira alguma impossível!

Sobre nossa vivência musical

Também vale considerar que muito do que somos diz respeito à bagagem de valores, crenças e normas que trazemos do nosso meio familiar, cultural e social e também da nossa individualidade, da nossa liberdade de escolha propriamente dita.

Sendo assim nossa voz é fruto do que somos e vivemos.

Ao longo de nossas vidas vamos formando nossa identidade vocal. E quando conhecemos um pouco mais sobre nossa voz, conhecemos um pouco mais de nós mesmos.

A voz tem a capacidade de refletir como estamos sentindo, se estamos bem ou não, seja emocionalmente ou fisicamente.

Também trazemos para o nosso timbre um pouco da nossa “escola musical”, ou seja, o que aprendemos a ouvir desde muito cedo por influência da nossa família e/ou do meio que estamos inseridos.

Esta “escola musical” traz em si uma estética definida, onde buscaremos nossas referências e conseqüentemente ditará as nossas preferências e escolhas de repertório para ouvir e cantar.

Sobre o meu: “The best of The Voice”

Confesso que literalmente chorei ao ouvir alguns deles não por que tinham vozes fortes, cheias de melismas ou “efeitos”, mas porque, sobretudo aquelas performances me traziam alguma “verdade”.

E quando falo em “verdade” falo sobre a capacidade de “dizer” o que está se cantando com propriedade e emoção.

Claro que é o domínio vocal desses cantores que os fazem ter o instrumento “na mão”, a seu serviço, a serviço da sua emoção.

Mas naquele momento, para o meu olhar, isto foi apenas um detalhe, de suma importância, mas um detalhe, e não o meu foco de atenção.

Em grande parte das apresentações dos cantores que mais me “tocaram” a desenvoltura de palco era exatamente fiel a voz que eu ouvia. E isso para mim é perfeito!

Creio que não é preciso dizer o que sabemos de cor: “Uma voz nunca é só uma laringe em movimento e sim muito mais do que isso.”

A laringe e o trato vocal, apenas serão, juntamente com todo o corpo, os instrumentos da emoção, da expressão e da total entrega à música na performance de um cantor.

E o povo quer saber!…

Como fazer isso de corpo inteiro?

Como deixar transparecer essa verdadeira emoção “contando a história que se quer cantar”?

Pois penso que cantar é exatamente isso “contar uma história” que pode ou não se identificar com a sua, mas que você toma emprestado se apropriando dela tornando-se o interlocutor de quem a compôs no momento que a canta.

E quanto mais você consegue empoderar-se dessa história, quanto mais acredita no que está dizendo, maior “verdade” irá transmitir.

Simples assim!? Infelizmente não!

Essa a meu ver é a parte mais difícil. É um exercício constante de entrega, de autoconhecimento e claro, de muita “fazência” (prática) como dizia um saudoso mestre.

A prática é uma das mais importantes partes deste percurso! Estudo, prática e total entrega à emoção.

Cantar é contar uma história se tornando parte dela. Permitir que ela se faça verdadeira através de você, do seu corpo e da sua voz.

“E que a sua voz seja exatamente o reflexo do que houver de mais verdadeiro em você…”

Deixo aqui um dos vídeos que me inspiraram para escrever este texto.

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