Você sabe o que é “Overtone Singing” ou “Canto Difônico”?

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overtone-singing“Overtone Singing” ou “Canto Difônico” é um tipo de técnica que possibilita o cantor emitir uma ou mais notas simultaneamente, a partir da produção de uma frequência fundamental e a amplificação de um ou mais de seus harmônicos.

Os harmônicos são frequências múltiplas de uma nota fundamental produzida.

Obs.: Para efeito didático vale citar o sistema de notação alfabética em que o nome de cada nota musical corresponde a uma letra de A a G, a partir da nota Lá até a nota Sol respectivamente. Assim: “Lá = A”, “Si = B”, “Dó = C”, “Ré = D”, “Mi = E”, “Fá = F”, “Sol = G”.

Dessa forma, se emitirmos por exemplo um C3 (o dó central do piano) os harmônicos produzidos serão:

C4 (segundo harmônico: a 8ª de C3 que é tecnicamente considerado o primeiro harmônico da série);

G4 (terceiro harmônico: a 5ª de C4);

C5 ( quarto harmônico: a 4ª de G4);

E5 (quinto harmônico: a 3ª de C5);

G5 (sexto harmônico: a 3ª m de E5);

B5 (sétimo harmônico: a 3ª de G5), e assim sucessivamente.

O canto difônico foi originado no Sul da Mongólia, onde sua prática é bastante difundida.

Segundo seus praticantes, ele tem poder terapêutico, pois é capaz de gerar um estado de “transe” que transporta o cantor para regiões diferentes da mente, produzindo sensações de calma e paz.

Como cantora e professora de canto, fiquei bastante curiosa sobre como desenvolver esses overtones (harmônicos) e resolvi comprar para o meu estudo um método que encontrei num site espanhol, o e-book Overtone Chant – The Practical Guide (Book with CD).

Apesar de ainda ter tido muito pouco contato com o método, pude verificar que o estudo parte do trabalho das frequências fundamentais graves, com pequenas articulações de filtro, sobretudo da língua.

Certamente o que se pode observar quando se executa o canto difônico é a necessidade de um controle respiratório considerável para a sustentação das frequências fundamentais (que são as notas mais graves e longas) enquanto se articulam simultaneamente os harmônicos agudos.

Abaixo anexei um excelente vídeo explicativo sobre o assunto, produzido pela cantora alemã Ana Maria Efele, onde ela faz uma análise espectrográfica de sua voz demonstrando o caminho melódico da frequência fundamental e dos harmônicos enquanto realiza o canto difônico.

No próximo vídeo, o cantor Nestor komblum entoa a música Amazing Grace. Reparem que ele mantém a frequência fundamental como base (nota grave) e trabalha a modulação dos harmônicos agudos para produzir a melodia.

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