Interferência do Refluxo Gastroesofágico na voz

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Para falar sobre refluxo gastro-esofágico considero relevante conhecer um pouco mais sobre o processo digestório.

O esôfago é um tubo muscular que tem como principal função levar o alimento da boca até o estômago.

Possui esfíncteres musculares que estão nas duas extremidades do tubo esofágico. Esfíncter superior e esfíncter inferior.

O esfíncter superior fica na parte posterior da garganta, logo atrás da laringe, em particular atrás da cartilagem cricóide.

O processo de deglutição ocorre em três estágios:

Fase oral a única que é voluntária, o alimento é mastigado e juntamente com a ação da saliva e das enzimas forma o bolo alimentar.

Na fase faríngea, involuntária, o alimento passa da faringe para o esôfago e requer total coordenação entre os mecanismos de contração e relaxamento dos músculos envolvidos no processo, para que não haja passagem do alimento para a via respiratória.

A presença de alimento na faringe provoca o reflexo da deglutição.

A fase esofágica, também involuntária, onde o alimento será transportado da boca para o estômago, exige a coordenação entre a contração da musculatura longitudinal e circular do esôfago, com relaxamento dos esfíncteres. No início da deglutição, a musculatura longitudinal se contrai e encurta o esôfago, liberando a musculatura circular para se contrair e realizar os movimentos peristálticos.

Por que ocorre a doença do refluxo gastroesofágico?

O esfíncter esofágico superior relaxa para permitir a entrada do bolo alimentar através do esôfago em direção ao estômago.

Já o esfíncter inferior está diretamente relacionado ao esôfago, estômago e diafragma, assim qualquer disfunção nessas relações comprometerá esta ação esfinctérica.

A constrição dos dois esfíncteres logo em seguida da passagem do alimento é necessária para que não haja refluxo gastroesofágico (RGE) que é o retorno passivo do conteúdo gástrico para o esôfago.

Contudo a disfunção do esfíncter esofágico superior tem sido considera a causa das manifestações laríngeas por refluxo, afinal uma das primeiras estruturas a ter contato com o suco gástrico é a parte posterior laringe, a primeira a ser afetada.

Existem muitos fatores que podem enfraquecer ou relaxar o esfíncter esofágico, incluindo:

  • Tabaco
  • Álcool
  • Gravidez
  • Obesidade (por aumento da pressão dentro do abdômen)
  • Determinados alimentos
  • Medicamentos
  • Hérnia do hiato (deslizamento de parte do estômago para a região acima do diafragma, o músculo que separa o tórax do abdômen).

Em profissionais da voz as alterações decorrentes do refluxo podem comprometer significativamente a performance vocal.

É importante atentar-se aos sintomas logo que os perceba e buscar o diagnóstico e orientação de um médico especialista em voz, um otorrinolaringologista, e especialista em sistema digestório, um gastroenterologista.

Os sintomas do refluxo gastroesofágico podem ser:

  • Dor epigástrica, azia e pirose (queimação e ardência no estômago e esôfago).
  • Rouquidão
  • Pigarro
  • Tosse crônica
  • Halitose
  • Garganta irritada
  • Sinais observáveis só no exame da laringe como edema (inchaço), espessamento ou vermelhidão na região posterior da laringe elevar a possíveis lesões de mucosa.

Atitudes simples de saúde podem ser tomadas para evitar a doença, entre elas:

  • Evitar alimentos pesados e muito condimentados durante a noite e não deitar antes de três horas após as refeições
  • Evitar frituras e alimentos gordurosos
  • Evitar comer muito, antes de alguma performance vocal, pois isto pode impedir a livre movimentação do diafragma
  • Evitar ingerir bebidas gasosas (principalmente as dietéticas), cítricas e bebidas ricas em cafeína
  • Chocolate e derivados do leite também não são recomendados antes do uso intenso da voz, indica-se a ingestão de maçã e de salsão, que possuem propriedades adstringentes, com o intuito de deixar a saliva mais “fina” ajudando na articulação das palavras e evitando o aumento de pigarro.

Referências Bibliográficas:

Pinho, M. R. Sílvia. Manual de higiene vocal para profissionais da voz. 2ª Ed. Carapicuiba. Pró-Fono, 1999.

Artigo: Excursão da cartilagem laríngea como parâmetro de comprometimento funcional da deglutição. Onivaldo Bretan. Internacional Archives Of Otorhinolaryngology, 1998.

Site: http://www.uff.br/fisio6/aulas/aula_15/topico_02.htm. O processo Digestivo.

Programa Havard Medical School Portugal: Doença do refluxo gastro-esofágico. Adaptação científica: Carolina Vaz Macedo. Validação científica: Profa. Carla Rolanda, 2012.

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