Voz e emoção: Sob o olhar de grandes mestres

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Acrescento aqui as contribuições exclusivas para este post, de alguns dos mais reconhecidos professores e/ou cantores de canto popular do Brasil. Queridos amigos que compartilharam aqui suas experiências ou visões de como lidar com esta que pode ser a nossa grande aliada no palco, nossa emoção!

Babaya“Eu tenho trabalhado muito nesta questão do “nervosismo” que interfere na voz. O que observamos inicialmente é uma voz irregular, trêmula às vezes, pouca projeção, falta de ar, falta de apoio, inexpressividade… etc., até que vai ganhando firmeza e controle sobre tudo, não é?

Pensando nestas questões, venho trabalhando nas preparações dos cantores, com muitas dinâmicas de apoio (tonificação dos músculos costo-abdominais, diafragma, como sempre fizemos) até aí, nada de novo!

Então tenho usado com intensidade os exercícios de “firmeza glótica” (vários) que eu acredito que deixam o músculo vocal muito firme e associo a estes exercícios as dinâmicas de “projeção com o mínimo de esforço”. Tenho tido excelentes resultados!

Mesmo estando “nervoso” o cantor não perde a firmeza, entende? E isto dá muita segurança emocional, acredito eu. Ou seja, eu vou pela “técnica”. BABAYA – Cantora e Professora de Canto Popular/ Belo Horizonte.

============================================FelipeAbreu100px“A minha dica é que o cantor procure investigar a FORMA pela qual o nervosismo se manifesta. Há pessoas que transpiram muito, outras ficam com mãos geladas, outras têm taquicardia, ou boca seca, ou começam a bocejar, ou perdem o controle da respiração, etc.

Algumas pessoas têm mais de um desses sintomas ao mesmo tempo. Aprendendo a reconhecer que isso é apenas uma manifestação NORMAL (NÃO PATOLÓGICA) de nervosismo, aprendendo a reconhecer em seu corpo quando o “sintoma” aparece, o cantor passa a sentir o nervosismo não como um inimigo, mas como um velho conhecido (mesmo que não seja um amigo).

Algumas dessas manifestações (mãos geladas) não interferem no canto. Outras (transpiração excessiva) interferem pouco. Outras falta de controle respiratório, taquicardia, boca seca) interferem MUITO, e aí geralmente o que ajuda — além de todo o processo de reconhecimento cognitivo da sensação e de aprender a lidar com ela — é a prática de exercícios de controle respiratório antes de entrar no palco, com ênfase em expirações de longa duração.” FELIPE ABREU – Professor de Canto Popular/Rio de Janeiro.

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izabel_padovani“Dia desses eu visitei a minha fono e assim que me sentei ela começou a falar sobre adrenalina. Sobre como o corpo é inteligente e em momentos que é preciso, a adrenalina entra em ação.

A adrenalina tem efeitos positivos também, traz uma disposição melhor, pois mais açúcar no sangue quer dizer mais energia para gastar e mais colesterol, fornece ao cérebro também mais energia para enfrentar momentos em que a atenção e o raciocínio precisam estar bem presentes.

Ou seja a descarga de adrenalina que tem efeitos como taquicardia, vasodilatação, “dor de barriga”, são naturais e saudáveis. Imagina subir no palco sem energia e sem estar atento!  Entender e aceitar os processos que envolvem o ” corpo em cena”, é fundamental para que esse primeiro momento de “estresse” seja visto com mais naturalidade e a adrenalina só trabalhe a nosso favor.

Precisamos repensar também a educação e a educação musical. Fatores psicofísicos precisam estar integrados para que haja um desenvolvimento saudável.” IZABEL PADOVANI – Cantora/Professora de Técnicas de Alexander – Campinas.

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Paula Santoro“Eu sempre faço uma meditação, uma respiração e acredito que boa parte dos meus alunos sabe o quanto prezo por uma boa técnica no desenvolvimento do cantor.

Mas como sabemos o condicionamento técnico muscular, não é uma coisa que acontece de um dia para o outro. Por isso sempre que estou trabalhando o repertório de um aluno, procuro dar foco a sua interpretação da canção e aos poucos vamos fazendo ajustes mais técnicos.  PAULA SANTORO – Cantora/Professora de Canto – Rio de Janeiro

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Suely Mesquita

“Trabalho a partir da consciência do “corpo nervoso”. Quero que o cantor saiba que reações somáticas aparecem com o nervosismo, pois são essas reações físicas que atrapalham sua voz. Se o cantor pensa em ficar calmo, missão impossível.

Mas se pensa em, mesmo nervoso, manter a coordenação de seus músculos, tem mais futuro e acabará ficando mais auto-confiante e mais calmo por isso. Minha principal sugestão é: fiquem nervosos mais vezes, e observem suas reações, pensando em como tirar proveito, como compensar ou pelo menos como prever cada uma delas.”  SUELY MESQUITA – Cantor/Professora de Canto – Rio de Janeiro.

============================================ Tutti Bae“Pra mim sem emoção não tem graça! Cantar não é apenas abrir a boca e combinar intervalos melódicos dentro de um determinado campo harmônico. A voz é um dos instrumentos mais sensíveis, pois faz parte do corpo e consequentemente reflete suas variações de frio, calor, desgaste, etc.

Mesmo sendo eu uma professora de técnica vocal tenho a opinião que a técnica vocal deve estar sempre a serviço da emoção e não servir para se ter tanto controle a ponto de se abafar a emoção.

Uma técnica bem estabelecida faz com que você tenha conforto na hora de cantar e consiga ter o controle do ar e não controlar a emoção, o que pra mim faz com que o canto se torne previsível e sem graça.” Tutti Baê: Cantora/Professora de Canto Popular – São Paulo.

Veja também:

http://vozteoriaepratica.com.br/voz-e-emocao-3/

 

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